quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Praia do Meio - Natal

Praia do Meio - Natal

Praia do Meio - Natal.



A Orla marítima mais feia e maltrada do Nordeste brasileiro. Destruiram o equilíbrio entre paisagem natural e paisagem cultural, amesquinhando a primeira.




Explico melhor aos leigos: Quando existe um promotório natural, ou seja um desnível geográfico dentro de um determinado sítio urbano (diferença de níveis entre a Av. Getúlio Vargas e a Av. Café Filho, no caso de 30 metros), recomenda-se que os edifícios construídos na parte mais alta não ultrapassem as dimensões da diferença de nível, ou seja, repetimos, 30 metros, ou prédios com mais de 10 andares. Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista paulista, que fez o Plano Diretor de Natal em 1968, colocou esta norma para ocupação da Av. Getúlio Vargas. O primeiro edifício construído, projeto de Ubirajara Galvão, o Ana Terra, com 10 andares, obedeceu este conceito urbanístico. Eis que a megalomania de construtores locais, com a conivência de colegas arquitetos, bons de discurso mas de prática nem tanto, quebraram esta regra com a construção do Edifício Luciano Barros, com 20 andares ou 60 metros, ou seja o dobro do desejável ou recomendável. Foi a senha para outros abusos. Inclusive agora temos um edifício com quase 40 andares. A paisagem foi amesquinhada e as proporções urbanas jogadas no lixo. Já houve inclusive tentativas de construir um grande motel entre o HUOL e a Ladeira do Sol obstruindo um das mais belas vistas de nossa cidade. A cidade reagiu e o sabido, conhecido empresário da construção civil do estado, desestiu do absurdo.




Agora volta-se a se falar em revitalização da Praia do Meio e vemos, estarrecidos, colegas arquitetos, como Francisco Soares Júnior, um homem esclarecido, reclamarem do Plano Diretor que proíbe edifícios como mais de 7 metros e meio de altura (gabarito do Hotel dos Reis Magos que serviu de base para este parâmetro).




Tambaú, em João Pessoa, possui uma das mais bem cuidadas orlas marítimas e o gabarito é de 7.50m e nem por isto deixa de ser um local aprazível e com alto índice de ocupação nos seus restaurantes, bares e residências, sim residências, pois Tambaú ainda permite habitações e de alto padrão. Coisa proibitiva na nossa Praia do Meio, valhacouto de prostitutas, traficantes e que tais.




Revitalizar é iluminar, limpar, policiar, implantar equipamentos bonitos e atrativos, uma passeio seguro com materiais de boa qualidade, bons restaurantes e bares, sanitários públicos, postos de salvamento e uma rede de hotéis que não agridam a paisagem e a vida urbana. E resolver, de vez, o problema habitacional de Brasília Teimosa, que permanece pela incapacidade adminsitrativa de seguidos prefeitos que só pensam na eleição seguinte. Definir, de vez, a Ponta do Mocego como espaço público e mirante privilegiado. Retirar, as edificações feias e inúteis que impedem a visão do mar entre a Ladeira do Sol e Areia Preta, praticando justas idenizações e dando alternativas de se organizarem em outro local.




Não se resolve o problema construindo edifícios altos, que impeçam a vista magnífica que se deslumbra do alto da Presidente Vargas. Caso alterem o gabarito atual vão querer construir até dentro do mar. Vejam o que foi feito em Areia Preta, a destruição de Ponta Negra e o que sonham para a Via Costeira.




Natal precisa de um bom prefeito, conhecedor do que é uma cidade. Chega de araras, bacuraus, borboletas, bezerras, veados e outros bichos.








Até amanhã









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